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25/10/2009


Olhares Aeroportuários

Olhos focados a painéis de embarque e desembarque,a procurarem códigos de vôos, companhias aéreas, nomes de cidades de partida ou destinos de viagem, confirmações de chegada ou a ultima chamada da partida. Olhos atentos a percorrerem corredores congestionados de carrinhos de bagagens, passageiros moda clássica, estilo alternativo ou o básico uniforme de comandantes ordenadamente vestidos, comissários e comissárias de bordo invariavelmente alinhados, penteados, perfumados e preparados para uma jornada. Olhos aflitos a perceberem as horas sempre apertadas entre escalas, conexões, pousos atrasados e decolagens canceladas por conta do teto baixo, tempo fechado ou descontrole do tráfego aéreo na invisível e descoberta aerovia nacional. Olhos cansados a revirar as passagens enquanto esperam nas intermináveis filas do check-in ou simplesmente aliviados nos bilhetes de embarque após a entrada tarifada na área restrita aos vitoriosos do raio X e detector de metais da Polícia Federal.

Olhos de homens e mulheres a contemplarem outros homossexuais ou seus opostos exóticos, clássicos ou convencionais, a trajarem vestidos de seda pura estampada ou chita chique confeccionada, ternos surrados de algodão ou clássicos de linho fino, calças de lycra apertada ou tão folgada a expor a cueca, sapatos de cromo alemão ou genéricos comprados a dúzia na 25, camisetas regatas desbotadas, plataformas  femininas arrojadas, casacos de pele ecologicamente incorretos, havaianas coloridas, jóias verdadeiras para se roubar e outras tantas bijuterias para falsear a própria vida, malhas sintéticas de poliéster, costas nuas provocativas, agasalhos de marcas importantes e outras falsificações chinesas, sandálias de dedo a libertar os pés, decotes sensuais a convidar atrevidos e zíperes abertos após a saída do banheiro expondo o sexo ou a lingerie sutilmente escondida.


Olhares em mulheres lindíssimas a disputarem espaço de circulação com outras não tão abençoadas, mas que certamente são grandes amigas nas horas de precisão. Olhares de homens esquisitos, igualmente vestidos, a procurarem documentos e mais documentos perdidos em valises antigas e esfarrapadas, bem ao lado de galãs de televisão somente com uma mochila na mão e a pressa de chegar em casa ou ir para a gravação. Olhares, olhares e mais olhares para todos os lugares, principalmente na bolsa solta, mala desprotegida, pacote de encomenda no chão e sempre um, dois, três, centenas de ladrões, a espreita,  de plantão. Olhares das dezenas de câmeras expostas e escondidas, patrulhas amigas, verdadeiro reality show do saguão. Olhares dos controladores no tempo e dos pilotos no vento que vem de arrastão.

Escrito por paulo cosmo às 04h14
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