Olhos de homens e mulheres a contemplarem outros homossexuais ou seus opostos exóticos, clássicos ou convencionais, a trajarem vestidos de seda pura estampada ou chita chique confeccionada, ternos surrados de algodão ou clássicos de linho fino, calças de lycra apertada ou tão folgada a expor a cueca, sapatos de cromo alemão ou genéricos comprados a dúzia na 25, camisetas regatas desbotadas, plataformas femininas arrojadas, casacos de pele ecologicamente incorretos, havaianas coloridas, jóias verdadeiras para se roubar e outras tantas bijuterias para falsear a própria vida, malhas sintéticas de poliéster, costas nuas provocativas, agasalhos de marcas importantes e outras falsificações chinesas, sandálias de dedo a libertar os pés, decotes sensuais a convidar atrevidos e zíperes abertos após a saída do banheiro expondo o sexo ou a lingerie sutilmente escondida.
Olhares em mulheres lindíssimas a disputarem espaço de circulação com outras não tão abençoadas, mas que certamente são grandes amigas nas horas de precisão. Olhares de homens esquisitos, igualmente vestidos, a procurarem documentos e mais documentos perdidos em valises antigas e esfarrapadas, bem ao lado de galãs de televisão somente com uma mochila na mão e a pressa de chegar em casa ou ir para a gravação. Olhares, olhares e mais olhares para todos os lugares, principalmente na bolsa solta, mala desprotegida, pacote de encomenda no chão e sempre um, dois, três, centenas de ladrões, a espreita, de plantão. Olhares das dezenas de câmeras expostas e escondidas, patrulhas amigas, verdadeiro reality show do saguão. Olhares dos controladores no tempo e dos pilotos no vento que vem de arrastão.


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