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20/08/2009


QUEM É VIVO APARECE

Por pouco, muito pouco, mas muito pouco mesmo, não fui visitar minha cadela lá no lar celestial dos cachorros. Eu não iria gostar muito visita, mas ela certamente iria adorar, afinal, onde quer que ela esteja, certamente já percebeu que ninguem mais abana o rabo para mim como ela abanava. Que bom que minha cachorra morreu antes de mim, para não me ver nessa pendenga. ..


Bem amigos! Na realidade não sumi, como alguns imaginam. Não! Apenas infartei e depois passei por uma revascularização cardíaca. Coisa branda, sem maiores complicações. Mas antes que me puxem a orelha por causa disso ou daquilo, nego veementemente qualquer insinuação de que isso tenha sido resultado de meu sedentarismo, da minha desbalenceada alimentação, da tardia constatação de minha predisposição genética, do fato de eu fumar apesar de ter parado mesmo antes de a lei paulista entrar em vigor, do stress do dia-a-dia ou do impiedoso nervosismo adquirido por conta do casamento. Não! Definitivamente não foi nada disso.  Nem o casamento, apesar de reconhecer a quantidade de viúvas recebendo pensão do INSS e não me dar conta de ter conhecido algum viúvo recebendo pensão da falecida. O casamento infarta homens sim, mas afirmo peremptoriamente, que meu infarto foi fruto de um caroço de azeitona estragado. 


Assim, para aqueles que ficaram sem minha adorável companhia desde 11 de junho, dia que quase desencarnei dessa para a melhor e quase fui convidado a abrir as portas do Além para Michael Jackson, digo somente uma coisa:  QUEM É VIVO APARECE...

E como hoje completam dois meses da minha cirurgia, não poderia deixar passar batido esse momento quase impar. Até porque não sei se poderão ser comemorados três meses, afinal o coração é uma caixinha de surpresas e ainda não me divorciei. Então, como ainda não me tornei um fantasma da internet a vagar por séculos e séculos entre bits e bytes, vou mandar meu recado: QUEM É VIVO APARECE.


Já me perguntaram se eu fiz uma breve passagem e depois retornei. Muitos passam por essa sensação durante uma cirurgia. Na realidade não vi nenhuma luz no fim do túnel, tampouco vultos a tentarem me puxar para o outro lado da vida. Não vi nada, nem ouvi ninguém. Nem luz, nem fogueira, nem murmúrios, nem convites angelicais de passagem. Nada! Mas tive uma experiência de sair do meu próprio corpo. Digo! Eu não, mas meu coração deu um pequeno passeio fora de mim, pois para revascularizarem o enfermo, foi exatamente isso que fizeram. Agora é assim. Tiram o bitelo para fora, fazem o trabalho e depois tentam pegar no tranco. Ainda bem que minha bateria estava carregada.

Escrito por paulo cosmo às 23h41
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