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14/05/2009


O mínimo pode virar máximo

Under Construction

Escrito por paulo cosmo às 13h47
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06/05/2009


Decidiu ir para o Céu dos Cachorros...

De duas uma: minha cachorra não gostou das instalações da casa nova e decidiu se mudar sem aviso prévio ou simplesmente quis se aventurar além do portão do Condomínio com o objetivo de ampliar seus horizontes. Eu sei como é isso. Vivo querendo transpor o limite territorial que me prende aqui, nesse lugar onde o meio do mundo significa quase fim do mundo. Eu imagino a angústia da cachorra em se ver presa num lugar que não era originalmente seu. Ainda não aprendi e sei o quão difícil é viver num lugar estranho...

Mas os índices não mentem e o trânsito é implacável para os mais desavisados. Os carros não perdoam cachorros inocentes, sem malícia,  perdidos fora de casa, bravos somente dentro do portão, mas fora deste verdadeiros bobões, que são cuidados com a dedicação doméstica que às vezes falha, mas nem sempre mata. A via expressa que dá acesso ao Condomínio, ainda em evolução arquitetônica, foi cruel com minha cachorra e agora - creio eu - que ela descanse em paz no céu dos cachorros abatidos, junto com tantos outros sem dono e quem sabe até  alguns viralatas que já tentaram usurpar de sua virgindade ou inocência vadia por entre a fresta da grade de nossa antiga casa.

Safados viralatas que doidos por uma saia também vadia no cio, não olharam para os lados ao atravessar outras vias e também foram atropelados sem perceberem. Até no mundo aninal, a procura por sexo fácil pode causar vítimas.

Não pensei que eu sentiria tanto isso. Apesar da indiscutível dedicação que essa cadela dispendeu para mim, fizesse sol ou fizesse chuva, eu estando de bom ou mau humor, querendo ou não sua companhia, chutando a cadela mesmo quando ela queria só companhia, pensava eu, em todo meu auto-conhecimento superior: é só um cachorro e o dia que se for não estarei nem aí..

É só um cachorro! É só um cachorro! É só! É só! E só, um dia nos veremos novamente minha cadela fiel

Dizem que um cachorro é uma parte de seu dono. Bem! Hoje morri um pouco.

Então, cadela assanhada, guarde um canto de chão para mim para quando eu chegar por ai, pois aqui, nessa terra, já compartilhamos muitas vezes o mesmo, apesar do meu ser do lado de dentro de casa. Mas o chão de  merda desse santo lugar é o mesmo, estando coberto ou a céu aberto. A céu aberto para todos ou simplesmente coberto por sete palmos de chão...

Escrito por paulo cosmo às 17h54
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