CoSmO eM eStAdO cRôNiCo


29/04/2009


H1N1

Pronto! Agora é a gripe suina a bater na porta da economia mundial e colocar em estado de sítio nações inteiras. Fronteiras em alerta, vistos não-autorizados, voos vazios e comércio bloqueado. Os crises virais são cíclicas. Não demora muito e vez ou outra somos abatidos por um vírus mutante, um rotavírus, um vírus microscópico, mas avassalador.

Não faz tanto tempo assim que a gripe aviária assolou os mercados internacionais e colocou milhões a respirarem através das mesmas máscaras que agora começam a desaparecer das prateleiras mundias em face da gripe mexicana. Que de suína só tem a origem. Nada de exclusividade latina, mas também americana. EUA não conseguiram bloquear sua invasão pelas fronteiras. Sem esquecer da vaca louca, uma mimosa inglesa, francesa ou italiana - sei lá - que não sendo humana dizimou somente milhares de vaquinhas e colocou em xeque o verdadeiro controle das barreiras sanitátias existentes entre os países, afinal, vírus não respeita fronteiras geográficas, pois não respeita nem máscara furada.

Ah vírus! Sempre um gripal associado a um nobre animal de nosso cardápio internacional. Gripes e mais gripes a fazerem o espirro parecer arma mortal. Pessoas nas ruas a fugirem de gripados, constipados, narizes vermelhos e simples pigarros de cigarro, como se o autor quisesse lhes dizimar a existência, passando um vírus não convencional. Agora é vírus espírito de porco...

Mas existe um vírus mais mortal e desumano, associado ao mais comum dos animais. Aquele onde uns animais norte-americanos, desrespeitando fronteiras, barreiras e máscaras de contenção, fizeram o mundo gemer por conta de umas hipotecas microscópicas, dizendo assim aos quatro ventos:  agora é vírus de bruços e vai sobrar no de todo mundo.

E nosso querido Lula deve estar mais ou menos assim: faço alarde e sou chamado de pessimista pela oposição ou digo que essa gripe vai passar em uma semana e acabam comparando com aquela marolinha de merda que veio como uma tsuname...

Escrito por paulo cosmo às 13h35
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09/04/2009


 

Há exatos cinco minutos fumei meu último cigarro. Definitivamente parei de fumar, afinal, com o mais recente incentivo governamental imposto aos fumantes, no intuito de darem sua cota de sacrifício contra a crise mundial, eu já havia decidido que só fumaria enquanto durassem os estoques com preços velhos. E parece que ontem os estoques acabaram, pois o preço do cigarro disparou. Como não estou a fim de ajudar pessoas a comprarem carros populares com redução de IPI, o que faz abaixar também o preço dos carros de luxo para os mais abastados, tampouco colaborar com o crescimento da construção civil, inclusive para ricos e famosos em seus condomínios de luxo e altas mansões, não me resta outra alternativa senão dizer adeus a esse hábito que me acompanha desde que perdi o juízo.

 

Sabe! Ontem, após deixar R$ 5,00 num maço de Marlboro, cheguei à conclusão que a melhor campanha que o Governo poderia ter feito – há anos - contra o tabagismo era realmente aumentar descaradamente o preço do cigarro, pois não adiantou constrager fumantes impedindo-os de fumarem em lugares fechados, tampouco amendrontar com aquelas fotos manjadas no verso dos maços. Parece que não reduziram o consumo, nem impediram o ingresso de mais pessoas ao vício. Simplesmente não adiantou exibir feto abortado em frasco de vidro com formol, homem com perna amputada, mulher com câncer terminal no leito hospitalar de morte, ratos e baratas mortas em decorrência das 4700 substâncias químicas usadas na composição do cigarro, e as mais cruéis de todas as imagens, como a do cigarro com cinza curvada ou homem sentado, inconsolado, na cabeceira da cama, numa insensível demonstração de que fumar causa impotência sexual. Nem sei se esse mal já me abateu...

 

Acho que desde o início, a campanha para redução do hábito de fumar deveria ter sido focada no aumento de preço, pois esse negócio de mostrar imagens daquilo que já sabemos, não deixa de ser história para boi dormir e ralo de evasão do erário junto as agências de propaganda para fluxo de caixa em campanha eleitoral. Se o governo quisesse mesmo que a população reduzisse o consumo, era só ter centuplicado o preço dos impostos sobre os cigarros e pronto! Mas se tem uma questão que não me sai da cabeça é, se as pessoas parassem de fumar, onde o Governo arrumaria dinheiro para cobrir a redução de receita de IPI sobre carros e materiais de construção, ou mesmo como substituição ao CPMF, que inicialmente servia para a saúde?

 

Olha! Não sei se o consumo cairá com esse aumento ou se o contrabando aumentará para abaixar o preço no mercado paralelo. Não sei se traficantes de cigarro tomarão conta dos morros e se o crime organizado tomará conta das fronteiras como na lei seca norte-americana. Só sei que parei de fumar e se outros quiserem seguir meu conselho fiquem a vontade. Mas advirto aos mais próximos, que estarei entrando na fase de abstinência e desintoxicação, o que significa que ficarei proporcionalmente ainda mais irritado do que já sou, sensivelmente mais tenso e ansioso do que já sou, incomensuravelmente menos paciente do que já sou e indiscutivelmente gordo, coisa que ainda não sou. No entanto, também ficarei mais saudável, cheiroso, socialmente aceitável em todos os lugares, politicamente correto e mais sensivelmente mais abastado, o que, quem sabe, possibilite que nesse final de semana santa eu decida comprar um carro ou me aventurar na construção de uma casa mais barata a custa dos resistentes fumantes, afinal, queimar dinheiro deveria ser procedimento exclusivo ao Banco Central, responsável por tirar papel moeda velha de circulação. Com meu dinheiro virando cinza ninguém combaterá a crise internacional, tampouco a incompetência administrativa do setor público. E tenho dito! A propósito: alguém tem uma bala ai?

Escrito por paulo cosmo às 16h02
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