Dizem que os adornos surgiram ainda na pré-história da humanidade. Ninguém sabe, ninguém viu, mas artefatos, sempre achados em escavações ou urnas funerárias, sugerem que há muito tempo o ser humano adora se enfeitar com peças dos mais deferentes materiais. Parece uma necessidade da civilização, qualquer que seja sua raça ou etnia, usar penduricalhos espalhados pelo corpo, como se isso servisse de âncora para alguma coisa.
O mundo evoluiu, os adornos pessoais ganharam escala de produção incalculável para atender todo tipo de público e gosto, mas por incrível que pareça, sempre é possível inovar sua individualidade com algo que está próximo.
Um ex-colega de Arquitetura, com aptidão para design de jóias – e nem sei o que acabou vingando na vida do rapaz -, vivia a aparecer com objetos do dia-a-dia usados como enfeites pessoas. Se marcar, foi ele que lançou a moda de ganchos de alpinismos usados como chaveiro. Para ele, um fixador para mangueira de gás virou um anel em seu dedo. Depois um clips, na maior, virou um brinco, assim como outras inovações apareciam vez ou outra. O ser humano adora se enfeitar ou enfeitar algo de sua propriedade. Muito antes da arquitetura, ainda na minha adolescência, a moda era pegar pedaços de acrílico transparente e criar pequenas pranchinhas de surf para colares. Usei vários. Depois veio a moda de trançar pulseirinhas usando uma tábua com pregos. Os mais antigos sabem do que estou a falar. Virou verdadeira febre. Mas todos esses casos eram criações espontâneas de artesãos enrustidos...
Mas a tecnologia chegou e criou um novo tipo de artesanato. Já foi o tempo das pessoas ficarem a trocar desesperadamente capinhas de celular originais pretas de fábrica, por modelos coloridinhos que melhor representavam a maneira despojada da pessoa enxergar o mundo. A indústria percebeu isso e agora lança modelos fashion 24 horas por dia. Já existiu também a onda de enfeites de celular a acenderem toda vez que uma ligação chegava no aparelhinho. Mas essa não foi muito longe eu acho. Porém, a indústria percebeu a necessidade humana e criou musiquinhas, luzezinhas a piscar e vibra-call para atender essa demanda. Por isso se chama capitalismo. Percebem nichos de mercado e ganham grana com a necessidade humana de chamar a atenção.
Mais recentemente vieram os pen-drives quadradrões de fábrica que agora se tornam a grande febre do momento. Numa pesquisa rápida na internet é possível constatar até pen-drive como prótese de dedo. A pessoa sem um dedo da mão coloca essa prótese e literalmente pode enfiar o dedo na entrada USB. Quase um Robocop. Mas o engraçado não são os diferentes pen-drives, nem sua capacidade de armazenamento que vive a crescer astronomicamente. Não! Pen-drives viraram adornos também, geralmente presos a um zíper pendurado como colar no pescoço. Ah! Zíper já foi exclusivo para calças, mas alguém percebeu que ele podia virar colar. Talvez seja obra de meu amigo de arquitetura. Sei lá! Qualquer dia alguém terá a brilhante idéia de transformar sapato em aparelho celular. Não, não! Essa idéia já foi utilizada pelo Agente 86. Alguém lembra dele?


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