Duas bicicletas a se chocarem num cruzamento onde mal passa carro a cada uma hora. Improvável, mas perfeitamente rotineiro. Pelo menos nas cidades onde existem mais bicicletas do que automóveis e nas quais o ordenamento do trânsito efetivamente não existe. Dois aviões a se chocarem em pleno voo. Quase impossível, mas perfeitamente factível. Pelo menos nos espaços aéreos onde a cobertura de sinal para celular é infinitamente maior do que a de radares a controlar aeronaves em aerovias nacionais. Dois satélites a se chocarem em pleno espaço. Caracas! Isso é achar agulha no palheiro. Pelo menos isso é coisa mais normal do que se imagina, tendo em vista que estamos poluindo inclusive as órbitas ao redor da Terra. E aconteceu há questão de dias. Naquela imensidão, dois satélites simplesmente colidiram. Dois submarinos nucleares a se chocarem nas profundezas do oceano finito, mas aparentemente sem fim. Essa é de doer. Acho que pior que achar uma agulha no palheiro, pois satélites em órbita não possuem radares para detectar outros satélites em rota de colisão e desviar. Pelo menos imagino que não, mas submarinos possuem, e ainda assim bateram. Isso na madrugada de hoje. E submarinos nucleares... Estava eu pensando no “fracasso” do acelerador de partículas. Anos e mais anos construindo um círculo quilométrico com milhões de tubos e circuitos eletrônicos sem fim, além de bilhões de euros. Precisava apenas, o grupo de renomados cientistas, colocar dois prótons nas mãos de dois ciclistas macapaenses ou atribuído a operação do monumental equipamento de aceleração aos controladores de voo da aeronáutica brasileira, aos estrategistas de rotas de satélite da NASA ou aos operadores de radar de submarinos nucleares – esses os mais adequados -, e teriam conseguido chocar todas as partículas que quisessem.


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