Bem, 2008, pra mim, foi um ano meio mussarela, meio calabresa, ou seja, nada tão diferente assim em comparação aos 2007 anos anteriores, eu acho. Algumas coisas novas aconteceram, outras velhas reprisaram e as horas foram passando, passando, passando, num insistente dia após o outro. A humanidade ficou mais velha, os computadores mais novos e as flores de plástico não morreram.
Morreram sim, muitos famosos e nasceram outros completamente desconhecidos, mas que também, em alguns casos, um dia se tornarão famosos, até que, num dado ano, também farão parte da retrospectiva daqueles que partiram. Quem sabe um futuro Presidente da República tenha nascido em 2008.
A Terra levou 365 dias e 6 horas para circular o Sol, mas essas horas adicionais somente serão computadas em 2010, ano de mais uma Copa do Mundo e outro ano bissexto, onde os nascidos no dia 29 de fevereiro serão jogados para 1 de março, igual ao que sempre acontece. Nesses 365 dias de - felizmente - ininterrupta translação da Terra, várias catástrofes aconteceram por aqui. Vendavais ali, terremotos acolá, tufões em alguns lugares, enchentes em outros e um turbilhão de acidentes naturais que viveram a infernizar a vida humana e dizimar algumas espécies da fauna e da flora mundial. A Terra está morrendo, mas as flores de plástico não morrem...
Eu! Bem... Eu não tenho muito a contar de 2008. Fiz xixi diariamente, meu intestino funcionou regularmente e consegui comer mais de duas refeições todos os dias. Acho que alguns dias comi até mais que duas. Na realidade, pensando nesse papo do intestino funcionar regularmente, acho que comi durante o ano umas quatro refeições ao dia, talvez até mais, o que me transformou num cagão de mão cheia. Cagão em todos os sentidos, mesmo quando o assunto não era refeição. A velhice que se junta a cada dia está me deixando cada vez mais cagão...
Sorri várias vezes, mas me irritei muito mais... Chorei por problemas grandes, mas confesso que também chorei por qualquer bobagem. Até por causa de novela eu chorei. Não por conta do capítulo em si, mas pelo fato de não ter o que fazer ou não querer fazer nada, ter que me sujeitar a assisti-lo. Ah! Como chorei... Acho que estou ficando velho. A bem da verdade, uma outra constatação: estou ficando velho.
Todo ano que passa eu fico mais velho. Possuo vários fios de cabelos brancos que não estavam lá no final de 2007 e começo a olhar para os fios pretos pensando se ainda estarão da mesma cor ao término de 2009. Na realidade, simplesmente gostaria que estivessem lá, pois a calvície avança sem parar... A barriga também avança, pois cansei de lutar contra a balança e todo o mundo não diet a me provocar diariamente. Mas as unhas encolheram, pois voltei a me mutilar vez ou outra, como num ritual de autoflagelação ou mero pagamento de penitência de promessas que nem sei se fiz. Mas se fiz, certamente não cumpri.
Ganhei dinheiro, mas perdi muito mais. A propósito: se alguém achar, por favor me devolva.
Fumei bem mais do que eu podia, tomei café bem mais do que eu devia e fiz sexo bem menos do que eu queria. Na realidade, nem sei mais se posso fazer tanto sexo assim.
Os livros que escrevi continuaram engavetados, meus blogs desatualizados e meus roteiros de cinema não filmados. Já disse uma vez e reafirmo, que a continuar assim, serei o maior escritor não publicado da história. Quem sabe meus herdeiros vivam de minhas obras póstumas. Seria legal um bisneto a ganhar dinheiro com minhas idéias, mas acho que seria bem mais significativo para ele se conseguisse galgar a própria vida com suas próprias idéias...
Em suma, 2008 foi um ano daqueles. Daqueles que queremos apagar, mas que nem precisamos nos preocupar mais, pois já passou.


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