A química moderna assim explica: existe uma combinação das substâncias e não uma decomposição delas. A famosa lei da conservação da matéria desenvolvida por Lavousier atesta tal afirmação através da célebre frase “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
Química a parte, mas em parte química pura, para a sobrevivência empresarial no mercado de capitais, em meio à crise mundial e as novas necessidades competitivas de empresas cada vez mais produtivas, foi imperativo o flerte, cantada, namoro, noivado, casamento e por que não dizer, a química perfeita entre empresas congêneres com o objetivo de dar continuidade na manutenção da riqueza de seus poucos donos e sustentação do poder global de seu grupo, ainda menor, de verdadeiros mandatários internacionais, afinal, a plebe, pobre plebe que aplica seus trocados em bolsas e fundos de corretoras, ficou com o rombo especulativo do mercado de capitais sem o devido lastro financeiro, inexistente de fato, mas apontado de direito nos balanços financeiros forjados por mentes brilhantes. Mas isso é outra postagem...
Nunca empresas se uniram tanto, se fundiram tanto, se incorporaram tanto, se venderam e se compraram tanto, em suma, se juntaram tanto a fim de sobreviver em meio às exigências do mercado consumidor que elas mesmas criaram para perpetuação de suas próprias espécies. Isso me leva a refletir que, se alguns casamentos fossem assim, efetivamente jamais terminariam. Tá certo que você seria obrigado a dormir na cama com sua sócia ao invés de sua esposa e sejamos honestos que, transformar em negócio aquilo que é prazer, é algo que dá certo só para empreendedores que viveram da adrenalina do surf. Mas se amigos, amigos, negócios a parte, esposas deviam atuar como sócias mesmo, já que não conseguimos transformar sócias em esposas.
Bem! O Itaú compra o Unibanco para virar o maior banco do hemisfério sul. O Banco do Brasil compra a Nossa Caixa de São Paulo para enfrentar a concorrência do Santander, o qual já havia comprado o BANESPA e que agora comprou o Banco Real, este último, já meio ABNAmro Bank. Bancos se unem para segurar nosso dinheiro em seus cofres a fim de gerar créditos para aplicar na fusão de empresas e nos oferecer como novas modalidades de empréstimos - que eu chamo de endividamento moderno - para que possamos comprar toda a produção da fusão de empresas que tem ações comercializadas na BOVESPA, a qual já incorporou a BM&F. Daí tem-se a Kolynos adquirida pela Colgate, no intuito de produzir novas e revolucionárias escovas e pastas de dente que servirão para combater cáries oriundas dos chocolates produzidos pela Nestlé que comprou a Garoto. A Brastemp, sempre fria nessas horas por já fazer parte do Grupo Whirlpool, comprou a Cônsul. E pra que? Para guardarmos em seus freezeres e geladeiras as cervejas da AMBEV, surgida da compra da Antártica pela Bhrama, e os congelados da Brazil Foods ou BrF, erguida através da união entre Sadia e Perdigão. Nessa hora, a Coca-Cola que não é Pepsi, ainda, quer se manter geladinha na linha branca isenta de IPI e acaba tomando Mate Leão como sua propriedade. Em virtude do sucesso na venda de gasolina para a Willians, que já foi parceira da Cânon, Rothmas e AT&T ,dentre outras, a Petrobras - ainda sem pré-sal e a única a querer se dividir imbecilmente nesses tempos modernos - incorpora a Ipiranga e agora, mesmo sem decreto, continua a monopolizar o mercado de combustíveis no Brasil, ofertando preços fechados para Jaguares e Land Rovers da Ford, Audis e Seats da VolksWagen, Ferraris e Alfas Romeo da Fiat, sem falar os Pontiacs e Opels da GM. Monopólio? Tal qual acontece em nosso espaço aéreo, com a TAM, que já outrora incorporou a Transbrasil, e a GOL, que comprou a parte boa da VARIG, que já havia incorporado a Cruzeiro e Rio Sul tempos atrás. E como inveja mata e são poucos aqueles que não gostam de ver os outros se fundindo sozinhos, as Lojas Americanas compram o Submarino, e as redes Casas Bahia e Pão de Açúcar – que já é Extra, Sendas, Ponto Frio e Compre Bem – finalmente se uniram também. E para difundir tudo isso através de meu micro e da fantástica comunicação global, tenho que lembrar que a Google comprou o Orkut, a Facebook comprou sei lá quem, a Oracle comprou a Sun Microsystems, a HP adquiriu a 3Com, a TIM finalmente inoperou a natimorta Intelig e a OI puxou para ela a Telemar, parando por aqui para não complicar.
As empresas se unem, enquanto casamentos - digo casais não alicerçados em uniões sólidas - se separam. É uma constatação irrefutável. Enquanto o mundo empresarial se funde para criar grandes corporações de sucesso, meu universo matrimonial – sem sentimentalismo barato nesse sentido, pois o que passou, passou - acaba de se separar para finalmente destruir grandes repetições de fracasso e decepções conjugais. Sinceramente não sei se estou na contramão da história empresarial, afinal casamento também é um contrato - e de risco -, mas pessoalmente falando, não quero mais ficar na mão, tampouco estar na mesma mão de quem não sabe dirigir, nem com as duas mãos.
E como dizem por aí, no mundo dos negócios, quem tem competência que se instale e quem não tem que se funda. Assim, um dia, quem sabe, pode ser, se a Ana Paula Arósio deixar, talvez, bem talvez mesmo, eu procure uma boa sócia para me fundir novamente. Mas só se a incorporação for da seguinte forma: nessa nova fábrica da cerveja, nada de Caracu, mas se for preciso, entro com a cara. Alguem que assuma o resto... Esse papo de união parcial de bens entre pobres só serve para complicar o fechamento da empresa e divisão do prejuízo.
Vou reaver o meu, mas somente o meu Brasil do futuro. Feliz 2010 para todos. Sem confusão ou com sem fusão.




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