CoSmO eM eStAdO cRôNiCo


04/06/2010


Sessão de pura tortura

Finalmente, após anos, muitos anos mesmo, percebi o porque das cadeiras de dentista serem tão confortáveis. Diga-se de passagem, confortáveis desde a época em que as brocas eram de baixa rotação, o amálgama era feito pelo próprio dentista, não existia sugador de saliva, a obturação - por precaução - acabava com o dente inteiro apesar da cárie ser apenas um pontinho manchado. Ah! Não havia ajudante no consultório. Era só você, seu dentista, mas principalmente Deus a segurar em nossas mãos. Época de anestesia que derrubava o rosto inteiro por horas...


Mas voltando as cadeiras. Dentista faz com o paciente a mesma coisa que frigorífico faz com o boi. O frigorífico primeiro dá carinho para que o bicho se sinta protegido e depois senta o porrete. A carne fica macia, macia, pois o boi não morreu estressado. A cadeira do dentista é um tanto similar. Você senta, reclina-se, desce suavemente a cabeça em direção ao encosto, estica as pernas, quem sabe até transpõe uma sobre a outra, cruza os braços ou fricciona as mãos, sente-se relaxado, confortável e se por alguns instantes fechar os olhos e esquecer de onde esta, pode até cair num sono profundo de sonho picante com a Ana Paula Arósio. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Ana Paula Arósio. Carne macia, macia...


Mas a questão é que sabemos onde estamos e é impossível fechar os olhos. Na realidade fechar os olhos é fácil, pois na hora que a auxiliar lhe coloca o óculos, depois o babador em seu peito, por fim aquele lencinho na sua mão e o dentista vem com a frase "abre a boca" seguida da introdução daquela pinça investigadora, não tem jeito. Fechamos os olhos para não ver. Mas não ver o que se não conseguimos olhar para dentro de nossas bocas? 


Dentista é meio vodoo. Inicia com todo um ritual macábro para que entremos no clima apavorante. Alguns nos drogam para que não sintamos a tortura a todo vapor. Mas outros são carniceiros. Iniciam o trabalho sem dó nem piedade. Gostam mesmo de ver nossas pálpebras se apertando, nossos lábios se contraindo e a boca silenciosamente se fechando. Alguns masoquistas ainda conversam com você e esperam que você responda. E quando ele pincela? E o jatinho de ar? E quando ele vem com a maquininha?  E o jatinho de água? Pasme! Alguns perguntam se está doendo. Na realidade dentistas adoram conversar com os pacientes. Acharam a maneira correta de dizer qualquer merda e não ouvirem uma opinião contrária, seja porque não podemos discutir com a boca cheia, seja porque não devemos discutir com o dentista numa hora dessas...


Essa semana, durante meu tratamento de canal - só canal -, após eu reclamar de um dor, meu dentista me disse: seus dentes são muito sensíveis. Na hora que ele deu um tempo, respondi: sensíveis o cacete. São uns insensíveis, desnaturados. Fossem sensíveis não ficariam a castigar a boca que lhes alimenta, o corpo que lhes hospeda, a alma que toma conta de tudo isso, mas principalmente o ouvido que geme solidário de dor.

Escrito por paulo cosmo às 23h37
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29/05/2010


Inteligite aguda...

Nesta semana um cientista veio a publico afirmar ter contraído um vírus de computador. Isso na mesma semana que outros cientistas declararam ter criado uma bactéria sintética através de esquemas montados em computador. Epa! Computador, vírus, homem, computador, bactéria, homem... Ai ai ai. Isso não vai dar certo.


Mas voltando ao primeiro assunto inicial, isso sim é uma revolução, pois de receptores da Influenza H1N1 - na moda - passamos agora a ser hospedeiros também trojans e outras pragas cibernéticas. Ou seja! Não bastasse a gripe suína, a peste bubônica, a gripe aviária, a malária, o tifo, a febre amarela, a dengue e outras viroses sem identificação médica - e por isso chamam-se virores, se é que dengue é vírus - também podemos contrair outros tantos milhões de vírus de alguma lista digital da AVG, Avast, McAfee, Norton, Karpesky, Avira, Nod32 etc e tals.


Bem! Quando me deparo com um notícia como essa, é claro que fico preocupado com o destino da civilização, com o futuro de minhas filhas, com a ordem natural das coisas, com o extermínio das espécies e com a relação entre criação e criatura, nesse contexto perverso de filho sempre ir de encontro ao Pai. Quem assistiu Exterminador do Futuro sabe bem do que estou falando. Na realidade, não é preciso mais filme para perceber essa rebeldia. Tenha um filho e verá. Mas como esse assunto catastrófico é futuro e a não ser que essa tecnologia sirva para me eternizar na Terra - o que seria horrível - tenho algumas preocupações bem mais presentes.


Por exemplo. Se podemos pegar vírus de computador, então chegará o dia em que ele pegará gripe suína. Talvez até de um porco criado com células sintéticas e alimentado desde a fase embrionária com derivados de soja transgênica contrabandeada do Paraguay. Bom! Assim sendo, por onde será aplicada a vacina contra Influenza H1N1 nesse computador? Eu explico. Onde enfiar a seringa para a vacinação em massa de TI?

 

Oras! Se podemos nos infectar com vírus de computador, também teremos que instalar em nossos corpos algum tipo de anti-vírus, pois nosso sistema imunológico não saberá reconhecê-los e portanto será necessário um programa que os identifique, bloqueie, exclua ou mande-os para a quarentena. E aí vem a pergunta:


- Se precisamos instalar anti-vírus em nós mesmos, mas ainda não conseguimos nos auto-conectar na internet, então será necessário utilizar um PenDrive. A questão é onde plugar essa memória externa e realizar a carga.


De minha parte advirto que meus periféricos são estritamente de output. Que ninguém me venha com esse negócio de input no meu hardware, pois em bunda que mamãe passou talquinho ninguém põe PenDrive. E não importa a capacidade que não me impressiono. Pode ser de 32Gb. Tamanho para mim não é documento e tampouco desperta interesse. Se eu pegar Inteligite, foi um prazer conhecê-los.

Escrito por paulo cosmo às 00h39
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27/05/2010


Bundinha com manteiga

O mundo das curiosidades gaúchas. Não! Não irei contar aquelas piadinhas homofóbicas sobre nossos compatriotas dos pampas. Isso não! Para esse tipo de insinuação caluniosa, ato difamatório e observação mentirosa já existe um grupo de humoristas - grande e sem repertório - que insistem em menosprezar toda a máscula soberba gaúcha do Laçador, ícone em pé que defende a virtude do bombacheiro imponente com queixo erguido, bunda arrebitada, olhar perdido no horizonte e aquele jeito macho de ser que só gaúcho sabe.


Quem sou eu para inventar piada sobre o descendente de alemão, chupador de chimarrão, devorador de churrascão, bebedor de cervejão e comedor de mulherão? Não sou ninguém não! Mas me atrevo a falar de pão...

Creio não ser novidade para ninguém pão de gaúcho se chamar cacete. E é claro que sempre vem aquela analogia barata de gaúcho adorar colocar uma cacetinho na boca e morder com vontade. Caracas! Até eu que não sou gaúcho gosto de um cacetinho quentinho no café da manhã. Quem não gosta de um cacetinho crocante por fora e macio por dentro? É óbvio que não dá para ficar repetindo essa frase - assim desse jeito - em plena noite, bem no Largo do Arouche em São Paulo ou Costa Aguiar em Campinas. Esse cacetinho daria muito pano pra manga.


Voltemos ao cacetinho gaúcho. Lá, mastigar - ai - um cacetinho é normal. Pedir para cortar - ai, ai - um cacetinho e passar manteiga é plenamente normal. Esquentar - pqp - o cacetinho na chapa é tri normal. Levar - ufa - o cacetinho  pra casa é coisa para macho. Mas semana passada descobri que não existe somente cacetinho. Nananinanão! Eles conseguiram se superar. Existe também um pão chamado bundinha. rsrsrsrsrsrsrsrs


Porra! Esse pessoal do sul é estranho. Não podiam chamar pão somente de pão? O que há de contranisso? Será que é pelo puro prazer de fazer o pedido na padaria? Opa! Assim sendo não deveria se chamar caceteria?


- Bah Tche! Por favor, me veja dois cacetinhos na chapa.

- Bah Tche! O senhor quer que passe manteiga na sua bundinha?

- Bah Guria! O cacetinho é fresco? Mete cinco no saco.

- Bah Tche! E na bundinha, não vai nada?

- Bah Seu Zé! Um cacetinho logo de manhã anima a gente...

- Bah tche! Se tem uma coisa que eu adoro é bundinha amanhecida.


 

Escrito por paulo cosmo às 13h51
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21/05/2010


O Genoma do PacMan

Há exatos 30 anos o PacMan surgia como uma revolução dos "games" existentes até então. Obviamente nossos filhos - esses alucinados  nativos em computação - nem sabem do que estamos falando ao mencionamos PacMan,. Imaginem se os questionássemos sobre o  Telejogo da Atari, aquele - lembram-se ? -  aparelho que ficava fazendo Pong pra lá e pra cá na tela da TV , através de dois fantásticos botões de girar.


Epa! O PacMan já é trinta. Isso me me leva a raciocinar sobre a noticia de hoje: Cientistas criam em laboratório a primeira bactéria sintética. Vida artificial que conseguiu sobreviver e se multiplicar em laboratório. Uma bactéria meio Telejogo. Ainda sem muita maleabilidade, sem muita tecnologia, mas que um dia vira um pequeno evoluido PacMan. Olha só! Uma bactéria devoradora.


O tempo vai passando, a tecnologia evoluindo mais e mais, e certo dia alguem dá um gás total nessa bactéria e finalmente não existirá mais o PacMan, mas um PlayStation Mobil com jogos de destruição em massa. Não será mais uma simples bactéria, mas um sistema complexo criado para matar. Se chegarmos lá, será que existirá o dia de comemorarmos os 30 anos da primeira bactéria sintética ou seus descendentes já teram acabado com tudo?



 

Escrito por paulo cosmo às 21h48
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09/04/2010


Primeiro aniversário

 

Há extato um ano atrás, por incrível que pareça, larguei de fumar. Decidi dar um tempo para meus pulmões, mas principalmente para meu bolso, pois já estava avançando para os três maços diários. Coisa de morador de Macapá com uma rotina nada entediante. O gasto diário com três maços, colocados na ponta do lápis, seria cooperação demais, de minha parte, para o programa de estabilização da economia em face da crise mundial daquela época.


Mas lá se foi um ano. Ufa! Passados 365 dias de abstinência completa, eliminação do odor, desintoxicação do organismo e ausência de pigarro diário, só tenho uma coisa a dizer: puta que pariu, que vontade de fumar um cigarro. Alguém tem fogo?


Pelo menos para mim, sempre repito que não parei de fumar, mas sim, tento largar o vício todo santo dia. E venho conseguindo fazê-lo durante um ano. Amanhã já não sei o que vai dar. É sempre um dia apos o outro e uma ansiedade atrás da outra. Eu adoraria estar comemorando aniversário de outras coisas largadas, mas tudo a seu tempo.


Largar de fumar também serviu para levantar meu ego, afinal, Barack Obama pode disparar mísseis nucleares, assinar orçamentos trilhardários, movimentar milhões de soldados entre o planeta e até autorizar viagens espaciais intergaláticas, mas não consegue largar o maldito cigarrinho do demônio. Nessa eu saí na frente, mas confesso que prefiriria fazer o que ele faz e continuar fumando. rsrsrs

 

Escrito por paulo cosmo às 13h30
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30/12/2009


Em 2010 chega de conFusão

A química moderna assim explica: existe uma combinação das substâncias e não uma decomposição delas. A famosa lei da conservação da matéria desenvolvida por Lavousier atesta tal afirmação através da célebre frase “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.  

 

Química a parte, mas em parte química pura, para a sobrevivência empresarial no mercado de capitais, em meio à crise mundial e as novas necessidades competitivas de empresas cada vez mais produtivas, foi imperativo o flerte, cantada, namoro, noivado, casamento e por que não dizer, a química perfeita entre empresas congêneres com o objetivo de dar continuidade na manutenção da riqueza de seus poucos donos e sustentação do poder global de seu grupo, ainda menor, de verdadeiros mandatários internacionais, afinal, a plebe, pobre plebe que aplica seus trocados em bolsas e fundos de corretoras, ficou com o rombo especulativo do mercado de capitais sem o devido lastro financeiro, inexistente de fato, mas apontado de direito nos balanços financeiros forjados por mentes brilhantes. Mas isso é outra postagem...

 

Nunca empresas se uniram tanto, se fundiram tanto, se incorporaram tanto, se venderam e se compraram tanto, em suma, se juntaram tanto a fim de sobreviver em meio às exigências do mercado consumidor que elas mesmas criaram para perpetuação de suas próprias espécies. Isso me leva a refletir que, se alguns casamentos fossem assim, efetivamente jamais terminariam. Tá certo que você seria obrigado a dormir na cama com sua sócia ao invés de sua esposa e sejamos honestos que, transformar em negócio aquilo que é prazer, é algo que dá certo só para empreendedores que viveram da adrenalina do surf. Mas se amigos, amigos, negócios a parte, esposas deviam atuar como sócias mesmo, já que não conseguimos transformar sócias em esposas.

 

Bem! O Itaú compra o Unibanco para virar o maior banco do hemisfério sul. O Banco do Brasil compra a Nossa Caixa de São Paulo para enfrentar a concorrência do Santander, o qual já havia comprado o BANESPA e que agora comprou o Banco Real, este último, já meio ABNAmro Bank. Bancos se unem para segurar nosso dinheiro em seus cofres a fim de gerar créditos para aplicar na fusão de empresas e nos oferecer como novas modalidades de empréstimos - que eu chamo de endividamento moderno - para que possamos comprar toda a produção da fusão de empresas que tem ações comercializadas na BOVESPA, a qual já incorporou a BM&F. Daí tem-se a Kolynos adquirida pela Colgate, no intuito de produzir novas e revolucionárias escovas e pastas de dente que servirão para combater cáries oriundas dos chocolates produzidos pela Nestlé que comprou a Garoto. A Brastemp, sempre fria nessas horas por já fazer parte do Grupo Whirlpool, comprou a Cônsul. E pra que? Para guardarmos em seus freezeres e geladeiras as cervejas da AMBEV, surgida da compra da Antártica pela Bhrama, e os congelados da Brazil Foods ou BrF, erguida através da união entre Sadia e Perdigão. Nessa hora, a Coca-Cola que não é Pepsi, ainda, quer se manter geladinha na linha branca isenta de IPI e acaba tomando Mate Leão como sua propriedade. Em virtude do sucesso na venda de gasolina para a Willians, que já foi parceira da Cânon, Rothmas e AT&T ,dentre outras, a Petrobras - ainda sem pré-sal e a única a querer se dividir imbecilmente nesses tempos modernos - incorpora a Ipiranga e agora, mesmo sem decreto, continua a monopolizar o mercado de combustíveis no Brasil, ofertando preços fechados para Jaguares e Land Rovers da Ford, Audis e Seats da VolksWagen, Ferraris e Alfas Romeo da Fiat, sem falar os Pontiacs e Opels da GM. Monopólio? Tal qual acontece em nosso espaço aéreo, com a TAM, que já outrora incorporou a Transbrasil, e a GOL, que comprou a parte boa da VARIG, que já havia incorporado a Cruzeiro e Rio Sul tempos atrás. E como inveja mata e são poucos aqueles que não gostam de ver os outros se fundindo sozinhos, as Lojas Americanas compram o Submarino, e as redes Casas Bahia e Pão de Açúcar – que já é Extra, Sendas, Ponto Frio e Compre Bem – finalmente se uniram também. E para difundir tudo isso através de meu micro e da fantástica comunicação global, tenho que lembrar que a Google comprou o Orkut, a Facebook comprou sei lá quem, a Oracle comprou a Sun Microsystems, a HP adquiriu a 3Com, a TIM finalmente inoperou a natimorta Intelig e a OI puxou para ela a Telemar, parando por aqui para não complicar. 

 

As empresas se unem, enquanto casamentos - digo casais não alicerçados em uniões sólidas - se separam. É uma constatação irrefutável. Enquanto o mundo empresarial se funde para criar grandes corporações de sucesso, meu universo matrimonial – sem sentimentalismo barato nesse sentido, pois o que passou, passou - acaba de se separar para finalmente destruir grandes repetições de fracasso e decepções conjugais. Sinceramente não sei se estou na contramão da história empresarial, afinal casamento também é um contrato - e de risco -, mas pessoalmente falando, não quero mais ficar na mão, tampouco estar na mesma mão de quem não sabe dirigir, nem com as duas mãos.

 

E como dizem por aí, no mundo dos negócios, quem tem competência que se instale e quem não tem que se funda. Assim, um dia, quem sabe, pode ser, se a Ana Paula Arósio deixar,  talvez, bem talvez mesmo, eu procure uma boa sócia para me fundir novamente. Mas só se a incorporação for da seguinte forma: nessa nova fábrica da cerveja, nada de Caracu, mas se for preciso, entro com a cara. Alguem que assuma o resto... Esse papo de união parcial de bens entre pobres só serve para complicar o fechamento da empresa e divisão do prejuízo.


Vou reaver o meu, mas somente o meu Brasil do futuro. Feliz 2010 para todos.  Sem confusão ou com sem fusão.

 


 

Escrito por paulo cosmo às 18h14
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22/12/2009


Cartões Natalinos

 

Ainda ontem passei na porta dos Correios e estava um inferno. O Diabo organizava a chamada enquanto os fiéis se amontoavam para poder entrar. Nem Copacabana pode ser usada de comparação para representar tamanha concentração humana por m². Gente a se empurrar para lá e para cá, pessoas a furar fila na maior cara de pau e ambulantes a venderem salgadinhos engordurados e sucos sem gelo e açúcar, enquanto outros, não menos oportunistas, pedindo para que os demais imbecis na fila guardassem seu lugar afim de que pudessem fazer alguma coisa longe dalí. E não é que conseguiam...

 

Mesmo com esse caos instalado, fiquei feliz em observar que as pessoas ainda mantêm o saudável hábito de mandar cartas. Está certo que aquela fila era para emprego e provavelmente só existe uma vaga. E deve ser para o quadro de reserva. Mas se estão contratando é porque o volume de entrega aumentou, ou seja, apesar da proliferação descontrolada de contas gratuitas de email, ainda são mandadas cartas através dos correios. É claro que devem ser cartas de cobrança, devoluções de cartas de cobrança, envio de cartões de crédito, reenvio de intimações extrajudiciais de cobrança, novos boletos bancários de cobrança e carnês de pagamento de compras parceladas que irão gerar cartas de cobrança e intimações extrajudiciais de cobrança. Cartas interpessoais é que não poderiam ser, afinal, o brasileiro fica cada vez mais analfabeto, inclusive digital, ao ponto de não conseguir escrever o próprio nome teclando, tampouco usando a mão numa carta social de remessa simples nacional a R$ 0,01.

 

E sendo eu da informática como sou, não apóio o abandono de hábitos simples, como mandar cartas em papel, em detrimento de mecanismos complexos da evolução tecnológica, tal qual enviar email através da infovia digital, afinal, não dá para confiar em computadores. Lembremos que em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, HAL – nome análogo a IBM - tentou executar sumariamente a tripulação, só porque queriam desligá-lo. Imagine se meu computador pensasse assim? Nem quando o Windows trava – coisa rara - eu poderia dar boot. E o pai estuprador da Geração de Proteus, que sem dó, mas principalmente sem piedade, meteu bronca na delícia – mas agora já velhinha a coitada – Julie Christie. Ai se essa moda pega! Até em pedofilia computadores estão envolvidos. E crimes digitais então? É só existir uma ação da Polícia Federal e quem é preso primeiro? O computador. Sempre o computador.

 

Não dá para acreditar neles. São muito falsos. E nem é porque sejam fabricados na China ou contrabandeados do Paraguai. É porque prometem uma velocidade de processamento, mas na prática trabalham noutra. Parecem até o Barichello em começo de temporada de F1. Também dizem que validam certificados seguros, que protegem nossos dados, que asseguram nossa privacidade, mas vivem arreganhados para a entrada de vírus e varreduras constantes da Microsoft para verificar se nosso Windows está oficialmente registrado. Um curral, onde se passa um boi, também passa uma boiada. São falsos! Ficam quietinhos a fingir que nos obedecem, que executam sequencialmente nossas ordens, que fazem o que queremos que eles façam, mas na verdade andam cada vez mais estruturados, mais orientados a objetos, mais b2b, mais evoluídos, o que significa que estão somente tirando uma onda com nossa cara enquanto se organizam para travar justamente na hora que você consegue conexão e está para apertar o botão de autorização para que bank line quite o boleto que vence naquele dia e que lhe acarretará no corte da luz caso não seja pago.

 

Escrito por paulo cosmo às 16h54
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20/12/2009


Boas Festas!

Do fundo do meu coração...





O tempo. Ah! O tempo. Há um ano estava a desejar boas festas a todos que fazem parte da minha vida. Pessoas distantes, próximas, há muito tempo sem ver, quase ontem na companhia, não importa. Pessoas que, vez ou outra, ou quase sempre, ou todo santo dia, estão ao meu redor.

 

No cartão do Natal passado, lembrava do tempo que não para, do tempo que não passa e do tempo que não chega, enquanto vivemos nossas vidas corridas, entediadas ou não, alegres ou tristes, horas arriscando numa nova viagem pelo desconhecido, horas abrindo mão - por covardia - do bilhete de embarque para lindas aventuras, horas se afastando - por necessidade - de pessoas muito queridas, horas conhecendo - por acaso - outras pessoas interessantes, horas a se aproximar novamente – por destino - de alguns que voltam a cruzar nossa linha da vida e horas se deparando com a triste ausência daqueles que nos deixaram para outra vida, pois infelizmente assim tem que ser.

 

Mal sabia eu que teria que enfrentar de peito aberto a inevitável cobrança do tempo. O tempo realmente não para e meu coração - outrora acelerado por beijos roubados; palpitante por olhares e sorrisos desviados em minha direção; feliz de tão apaixonado por alguém; radiante por uma nova conquista, fora de ritmo pela espera da tão aguardada notícia do nascimento das filhas - quem diria, decidiu diminuir a velocidade e quase parando, literalmente, me chamar atenção para o verdadeiro sentido da vida, me impondo a inevitável decisão de morrer em pé enfrentando a vida ou viver ajoelhado a reclamar da morte que não chega. Não é fácil mudar uma vida da noite para o dia, mas é preciso tentar e estou tentando, um dia após o outro. Perdi tempo demais com bobagens e deixei bons momentos – diria até maravilhosos sonhos - fugirem das minhas mãos. Se eu pudesse voltar no tempo, teria feito mais e deixado muita coisa para trás. Teria...


"Devia ter amado mais, Ter chorado mais, Ter visto o sol nascer, Devia ter arriscado mais, Até errado mais, Ter feito o que eu queria fazer, Queria ter aceitado as pessoas como elas são, Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração"...

 

Dor no coração não senti, mas a que ele traz... Minha mãe - sabia mãe - diz que quando ouve essa música lembra saudosa de mim. Do jeito dela, ela, bem discreta, está me dizendo "viva meu filho". E preciso saber viver, para que isso seja somente uma letra bonita, não meu triste epitáfio.

 

Reitero o que disse o ano passado: Natal é um dos raros momentos de regozijar a todos que felizmente continuam entre nós, às vezes somente distantes pelo espaço/tempo dos diferentes caminhos seguidos, ou às vezes tão próximos e tão rotineiramente presentes em nossas vidas, que não nos damos conta de sua verdadeira importância. Assim, Natal continua sendo, para mim, tempo de guerra e paz, dentro de minha contínua batalha para superar meus limites, enfrentar meus conflitos e compartilhar minhas vitórias com aqueles que vibram com minha existência. E nesse ano muitos vibraram por mim, muitos rezaram por mim, muitos torceram por mim. Nunca vi tanta gente a acariciar tão amorosamente meu coração. Eu ainda existo, agradeço a todos vocês e reverencio a Deus. Estou tentando me cuidar. Façam o mesmo. Cuidem de seus corpos, mas não descuidem de suas almas. Somos um todo que precisa de carinho.

 

Feliz Natal e um Maravilhoso 2010

 

São os meus mais sinceros votos e de minhas mulheres: a incansável mãe e as indescritíveis filhas , cada vez mais adultas, pois, mais lindas, é praticamente impossível. Pai é pai né?





 

Escrito por paulo cosmo às 01h26
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13/11/2009


Sexta 13 na semana do apagão

Under construction

Escrito por paulo cosmo às 14h51
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11/11/2009


De tirar o chapéu

Dezoito estados. Sete horas de falta de abastecimento elétrico. Linhas de transmissão sem repassar energia sequer para uma lâmpada natalina. A maior usina hidrelétrica do mundo completamente parada. Nenhum som da indescritível vazante de Itaipu. Milhões de brasileiros completamente no escuro. A lua como a única luz a iluminar o caminho...

Certamente a grande maioria das pessoas ficou mais emputecida do que de costume, o trânsito ainda mais congestionado do que o catastrófico habitual, a insegurança nas ruas mais evidente do que na vida cotidiana, barari, bororó e outras mais... Mas uma coisa não pode ser contestada por ninguém em sã consciência: até na hora de produzir “um apagão” nossa faixa territorial localizada mais ao sul do Brasil consegue ser de incomensurável poder de fogo.

Em qualquer outra região seria um simples corte de energia em virtude de alguma incompetência de ordem pessoal, ligada geralmente a histórica retórica regional de isolamento territorial. Em qualquer outra região faltaria luz num bairro aqui, um vai-vem de energia num prédio ali, um disjuntor caído lá, uma sobrecarga ou queda intermitente de eletricidade acolá. Na região norte então... Alguns nativos da Amazônia são cheios de desculpas.

Aqui no Amapá tem sido assim nas ultimas semanas. Virou moda estadual brincar de incompetência administrativa. E isso já faz algum tempo. Melhor! Parece que sempre foi moda brincarem de administração pública pros lados desse torrão. Mas com o dinheiro fácil do repasse do FPE é assim mesmo. Muita gastança e pouca produtividade. Por que seria diferente com a produção de energia?

Agora é energia que vai, energia que vem, paciência que vai, sobrecarga que vem, luz que vai, desconforto térmico que vem, serviço de qualidade que é bom vai, conta de luz em dia sempre que vem... Ar-condicionado pára, a gente ferve, geladeira descongela, o alimento estraga, televisão fica muda, a gente se cala, bomba d’água não funciona, a gente fica sujo, lanterna acende, a pilha acaba e assim vai. Dia sim, outro também, num repetitivo micro apagão a moda sulista. Mas aqui não tem raio não...

É secular a existência de estiagem nesse período do ano e todos os nativos responsáveis pelo setor energético sabem muito bem disso. O fluxo dos rios abaixa e uma represa tem que se formada para alimentar a única improdutiva, desgastada, ultrapassada e agora mal administrada hidrelétrica estadual. Parece carnaval, pois deixaram a água rolar na época que deveriam represar. Também é conhecido pelos mesmos especialistas locais tupiniquins que a termoelétricas servem para suprir essa carência da usina, principalmente nesse período do ano. É histórica essa limitação energética no Amapá e a necessidade de “termopoluir” o ar para produzir energia no estado mais conservado da federação..

Em minha opinião, uma simples questão de nível. Nível do reservatório de água abaixo do limite mínimo permitido, nível da reserva de óleo diesel abaixo da quantidade mínima necessária, nível de chuvas para o período abaixo da marca histórica da região, nível de excelência dos serviços abaixo da média nacional, nível profissional dos técnicos abaixo do exigido no mercado nacional, nível, nível, nível... A única constatação acima do nível é a incompetência pessoal dos imponentes, auto-suficientes e retóricos “preservativos” ambientais, ex-povos recém urbanizados da floresta ainda em pé. A única observação incomensuravelmente acima dessa triste constatação, é o nível de despreparo de muitos administradores e personalidades nascidas nesse torrão brasileiro, entre o povo herói, varonil, descendente da raça guerreira, em que os filhos, alegres, confiam, num futuro repleto de louros.

Pela madrugada. Quando for para produzir apagão, que seja feito tal qual a região sul e sudeste. Que se dê uma única e fatal porrada com os raios como desculpa. Chega desse negócio amapaense de produção de doses diárias de falta de energia elétrica, falta de água nos rios, falta de diesel como contingência, mas principalmente, falta de vergonha na cara em tirar o próprio da reta.

Escrito por paulo cosmo às 08h27
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25/10/2009


Olhares Aeroportuários

Olhos focados a painéis de embarque e desembarque,a procurarem códigos de vôos, companhias aéreas, nomes de cidades de partida ou destinos de viagem, confirmações de chegada ou a ultima chamada da partida. Olhos atentos a percorrerem corredores congestionados de carrinhos de bagagens, passageiros moda clássica, estilo alternativo ou o básico uniforme de comandantes ordenadamente vestidos, comissários e comissárias de bordo invariavelmente alinhados, penteados, perfumados e preparados para uma jornada. Olhos aflitos a perceberem as horas sempre apertadas entre escalas, conexões, pousos atrasados e decolagens canceladas por conta do teto baixo, tempo fechado ou descontrole do tráfego aéreo na invisível e descoberta aerovia nacional. Olhos cansados a revirar as passagens enquanto esperam nas intermináveis filas do check-in ou simplesmente aliviados nos bilhetes de embarque após a entrada tarifada na área restrita aos vitoriosos do raio X e detector de metais da Polícia Federal.

Olhos de homens e mulheres a contemplarem outros homossexuais ou seus opostos exóticos, clássicos ou convencionais, a trajarem vestidos de seda pura estampada ou chita chique confeccionada, ternos surrados de algodão ou clássicos de linho fino, calças de lycra apertada ou tão folgada a expor a cueca, sapatos de cromo alemão ou genéricos comprados a dúzia na 25, camisetas regatas desbotadas, plataformas  femininas arrojadas, casacos de pele ecologicamente incorretos, havaianas coloridas, jóias verdadeiras para se roubar e outras tantas bijuterias para falsear a própria vida, malhas sintéticas de poliéster, costas nuas provocativas, agasalhos de marcas importantes e outras falsificações chinesas, sandálias de dedo a libertar os pés, decotes sensuais a convidar atrevidos e zíperes abertos após a saída do banheiro expondo o sexo ou a lingerie sutilmente escondida.


Olhares em mulheres lindíssimas a disputarem espaço de circulação com outras não tão abençoadas, mas que certamente são grandes amigas nas horas de precisão. Olhares de homens esquisitos, igualmente vestidos, a procurarem documentos e mais documentos perdidos em valises antigas e esfarrapadas, bem ao lado de galãs de televisão somente com uma mochila na mão e a pressa de chegar em casa ou ir para a gravação. Olhares, olhares e mais olhares para todos os lugares, principalmente na bolsa solta, mala desprotegida, pacote de encomenda no chão e sempre um, dois, três, centenas de ladrões, a espreita,  de plantão. Olhares das dezenas de câmeras expostas e escondidas, patrulhas amigas, verdadeiro reality show do saguão. Olhares dos controladores no tempo e dos pilotos no vento que vem de arrastão.

Escrito por paulo cosmo às 04h14
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19/08/2009


QUEM É VIVO APARECE

Por pouco, muito pouco, mas muito pouco mesmo, não fui visitar minha cadela lá no lar celestial dos cachorros. Eu não iria gostar muito visita, mas ela certamente iria adorar, afinal, onde quer que ela esteja, certamente já percebeu que ninguem mais abana o rabo para mim como ela abanava. Que bom que minha cachorra morreu antes de mim, para não me ver nessa pendenga. ..


Bem amigos! Na realidade não sumi, como alguns imaginam. Não! Apenas infartei e depois passei por uma revascularização cardíaca. Coisa branda, sem maiores complicações. Mas antes que me puxem a orelha por causa disso ou daquilo, nego veementemente qualquer insinuação de que isso tenha sido resultado de meu sedentarismo, da minha desbalenceada alimentação, da tardia constatação de minha predisposição genética, do fato de eu fumar apesar de ter parado mesmo antes de a lei paulista entrar em vigor, do stress do dia-a-dia ou do impiedoso nervosismo adquirido por conta do casamento. Não! Definitivamente não foi nada disso.  Nem o casamento, apesar de reconhecer a quantidade de viúvas recebendo pensão do INSS e não me dar conta de ter conhecido algum viúvo recebendo pensão da falecida. O casamento infarta homens sim, mas afirmo peremptoriamente, que meu infarto foi fruto de um caroço de azeitona estragado. 


Assim, para aqueles que ficaram sem minha adorável companhia desde 11 de junho, dia que quase desencarnei dessa para a melhor e quase fui convidado a abrir as portas do Além para Michael Jackson, digo somente uma coisa:  QUEM É VIVO APARECE...

E como hoje completam dois meses da minha cirurgia, não poderia deixar passar batido esse momento quase impar. Até porque não sei se poderão ser comemorados três meses, afinal o coração é uma caixinha de surpresas e ainda não me divorciei. Então, como ainda não me tornei um fantasma da internet a vagar por séculos e séculos entre bits e bytes, vou mandar meu recado: QUEM É VIVO APARECE.


Já me perguntaram se eu fiz uma breve passagem e depois retornei. Muitos passam por essa sensação durante uma cirurgia. Na realidade não vi nenhuma luz no fim do túnel, tampouco vultos a tentarem me puxar para o outro lado da vida. Não vi nada, nem ouvi ninguém. Nem luz, nem fogueira, nem murmúrios, nem convites angelicais de passagem. Nada! Mas tive uma experiência de sair do meu próprio corpo. Digo! Eu não, mas meu coração deu um pequeno passeio fora de mim, pois para revascularizarem o enfermo, foi exatamente isso que fizeram. Agora é assim. Tiram o bitelo para fora, fazem o trabalho e depois tentam pegar no tranco. Ainda bem que minha bateria estava carregada.

Escrito por paulo cosmo às 23h41
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14/05/2009


O mínimo pode virar máximo

Under Construction

Escrito por paulo cosmo às 13h47
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06/05/2009


Decidiu ir para o Céu dos Cachorros...

De duas uma: minha cachorra não gostou das instalações da casa nova e decidiu se mudar sem aviso prévio ou simplesmente quis se aventurar além do portão do Condomínio com o objetivo de ampliar seus horizontes. Eu sei como é isso. Vivo querendo transpor o limite territorial que me prende aqui, nesse lugar onde o meio do mundo significa quase fim do mundo. Eu imagino a angústia da cachorra em se ver presa num lugar que não era originalmente seu. Ainda não aprendi e sei o quão difícil é viver num lugar estranho...

Mas os índices não mentem e o trânsito é implacável para os mais desavisados. Os carros não perdoam cachorros inocentes, sem malícia,  perdidos fora de casa, bravos somente dentro do portão, mas fora deste verdadeiros bobões, que são cuidados com a dedicação doméstica que às vezes falha, mas nem sempre mata. A via expressa que dá acesso ao Condomínio, ainda em evolução arquitetônica, foi cruel com minha cachorra e agora - creio eu - que ela descanse em paz no céu dos cachorros abatidos, junto com tantos outros sem dono e quem sabe até  alguns viralatas que já tentaram usurpar de sua virgindade ou inocência vadia por entre a fresta da grade de nossa antiga casa.

Safados viralatas que doidos por uma saia também vadia no cio, não olharam para os lados ao atravessar outras vias e também foram atropelados sem perceberem. Até no mundo aninal, a procura por sexo fácil pode causar vítimas.

Não pensei que eu sentiria tanto isso. Apesar da indiscutível dedicação que essa cadela dispendeu para mim, fizesse sol ou fizesse chuva, eu estando de bom ou mau humor, querendo ou não sua companhia, chutando a cadela mesmo quando ela queria só companhia, pensava eu, em todo meu auto-conhecimento superior: é só um cachorro e o dia que se for não estarei nem aí..

É só um cachorro! É só um cachorro! É só! É só! E só, um dia nos veremos novamente minha cadela fiel

Dizem que um cachorro é uma parte de seu dono. Bem! Hoje morri um pouco.

Então, cadela assanhada, guarde um canto de chão para mim para quando eu chegar por ai, pois aqui, nessa terra, já compartilhamos muitas vezes o mesmo, apesar do meu ser do lado de dentro de casa. Mas o chão de  merda desse santo lugar é o mesmo, estando coberto ou a céu aberto. A céu aberto para todos ou simplesmente coberto por sete palmos de chão...

Escrito por paulo cosmo às 17h54
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29/04/2009


H1N1

Pronto! Agora é a gripe suina a bater na porta da economia mundial e colocar em estado de sítio nações inteiras. Fronteiras em alerta, vistos não-autorizados, voos vazios e comércio bloqueado. Os crises virais são cíclicas. Não demora muito e vez ou outra somos abatidos por um vírus mutante, um rotavírus, um vírus microscópico, mas avassalador.

Não faz tanto tempo assim que a gripe aviária assolou os mercados internacionais e colocou milhões a respirarem através das mesmas máscaras que agora começam a desaparecer das prateleiras mundias em face da gripe mexicana. Que de suína só tem a origem. Nada de exclusividade latina, mas também americana. EUA não conseguiram bloquear sua invasão pelas fronteiras. Sem esquecer da vaca louca, uma mimosa inglesa, francesa ou italiana - sei lá - que não sendo humana dizimou somente milhares de vaquinhas e colocou em xeque o verdadeiro controle das barreiras sanitátias existentes entre os países, afinal, vírus não respeita fronteiras geográficas, pois não respeita nem máscara furada.

Ah vírus! Sempre um gripal associado a um nobre animal de nosso cardápio internacional. Gripes e mais gripes a fazerem o espirro parecer arma mortal. Pessoas nas ruas a fugirem de gripados, constipados, narizes vermelhos e simples pigarros de cigarro, como se o autor quisesse lhes dizimar a existência, passando um vírus não convencional. Agora é vírus espírito de porco...

Mas existe um vírus mais mortal e desumano, associado ao mais comum dos animais. Aquele onde uns animais norte-americanos, desrespeitando fronteiras, barreiras e máscaras de contenção, fizeram o mundo gemer por conta de umas hipotecas microscópicas, dizendo assim aos quatro ventos:  agora é vírus de bruços e vai sobrar no de todo mundo.

E nosso querido Lula deve estar mais ou menos assim: faço alarde e sou chamado de pessimista pela oposição ou digo que essa gripe vai passar em uma semana e acabam comparando com aquela marolinha de merda que veio como uma tsuname...

Escrito por paulo cosmo às 13h35
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